Domingo, Dezembro 27, 2009




ARCHOTES







Eu queria poder te estender


Um luminoso tapete de estrelas


Para que chegasses perto de mim,


E que ao vê-las tu percebesses


A aura desse meu louco amor


Do qual não consigo vislumbrar o fim.






Mas, sim, eu posso te ofertar


A rosa dos sonhos para o amanhã,


O impulso etéreo que nos faz


Escolher e trilhar caminhos.


Na selva em que vivemos


É fácil se perder pelas veredas,


E no fim de cada uma


Não encontrar ninguém.






Eu te apontarei a minha


Com o sentimento de luz


Que me conduz pela vida.






Se não houver estrelas,


Haverá archotes a iluminar


Os teus tateantes passos.



Tu me encontrarás no fim da senda,

pássaro a chamar para o ninho dos braços,


Teu dedicado e carinhoso anjo protetor,


Teu amigo, teu amante, teu amor.






Antonio Carlos Rocha

Sábado, Dezembro 26, 2009




BORBOLETA AZUL







Não fuja da realidade


Ainda que seja atroz.


O sonho maravilhoso


Nem sempre se realiza.


Quem olha somente adiante,

E escuta a voz da sereias


Não percebe aonde pisa.


Havia lama e você não viu,


Escorregou, foi ao chão.


Não é motivo pra desespero,


Aqui está a minha mão,


Ali em frente outro caminho


Que passa sob o arco-íris,


Circunda o pote de ouro,


E nos leva ao casulo de prata


Donde surgirá nossa borboleta azul






Antonio Carlos Rocha

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009


                                                                                  


ANTI-FÁBULA



A Gata Borralheira encantou o Príncipe


Deslumbrado pela beleza da senhorinha


E a levou, apaixonado, para o Castelo.


Dia seguinte, descobriu as unhas afiadas,


O temperamento arisco, a palavra dura,


E a vassoura ao lado da cama.


Não foi fácil tirá-la da cozinha,


Para a cavalgada da raposa,


Nem disfarçar os impropérios


Quando o cavalo a derrubou.


No jantar a luz de velas,


O vinho lhe provocou arrotos,


E a dama de companhia


Foi objeto de cena de ciúmes.


Viveram infelizes por muitos anos,


Até que a Gata fugiu com o Gato de Botas.


Moral desta triste história::


De Borralheira não se faz Princesa.



Antonio Carlos Rocha

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009


                                                                             



VAGALUME






Ternura, compaixão e amor,


Cristo nos legou esse maravilhoso


Exemplo que ultrapassou os séculos


E nos leva a meditar no hoje, no amanhã,


Em nossas atitudes em relação ao outro.


A nossa centelha divina


Pelo menos no Natal se acende


Enfeita lares, praças ruas.


Mantê-la acesa durante o ano todo


É apanágio de poucos.


A maioria é vagalume!



Antonio Carlos Rocha








 

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009





PÓ E CINZAS







Pó e cinzas


Participarei do vento


Que vai ao mar


Na praia da Sununga


Quando voltar


À dimensão do nunca.






Antes de chegar


Voarei com a gaivota


Sobre ondas do mar


Repousarei na tartaruga


Que dorme na ilhota.






Na boca de um golfinho


Entenderei palavras


Que tentam aconselhar o homem,


Mas ele não escuta,


Ou apenas faz de conta.






Quase no fim da viagem


Serei grão do castelo de areia


Onde dorme a princesa


Lembrança que se apaga


Do meu sonho de menino.






Antonio Carlos Rocha

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009





BAILE







Debutei no baile


50 anos depois


Minha jovem alma


A girar no salão


Enamorada


Tocada pela música


Embalada pela paixão.


Meu par tinha olhos de fogo


Corpo de menina


Curvas de mulher


Aura de anja


Boca endemoniada.


Alguém quebrou a taça


O sustenido se perdeu


O momento voou


E o terno elegante


Foi comido pelas traças.


A alma registrou a lembrança


E rejuvenesceu.


Ainda mais!






Antonio Carlos Rocha

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Para a amiga Simone, a Bahia em mim

                                                                              



Não me Esqueço de Ti.

Não me esqueço de ti.



Das palavras de coforto,


Dos gestos de carinho,


Da nossa doce amizade


Apesar da distância.


Lembro de ti,


quando vejo na rua


longos e negros cabelos


esvoaçando ao vento


e parece que eu vi


a imagem que atua


no meu pensamento.


Não me esqueço de ti


porque sei que à noite


terei um recado


para embalar meus sonhos,


para dizer que amanhã


no coração ensolarado


haverá paz e muito amor.

Antonio Carlos Rocha

Sábado, Dezembro 12, 2009




ENTARDECER







Entardece no peito um sol de verão,


Um amor que já passou do meio-dia,


Abrasador, pai de voluptuosas emoções.


Agora há sombras bailarinas,


Um manto de nuvens róseas,


Uma brisa que alivia a quentura.






Foi-se no bico da andorinha


O graveto queimado pelo desejo,


A paixão que devora a pele


E descompassa o coração.






Restam lembranças esmaecidas,


O par de sandálias sob a cama,


A mancha de batom no travesseiro,


O cinzeiro com bitucas de querência,


O livro do Vinícius com página rasgada.


Ao cair do sol, até o poema ela levou...






Antonio Carlos Rocha

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009


                                                           


CONTRATO DE ALUGUEL






Aluguei teu coração por longo prazo,


E nele habitei feliz por algum tempo


Como pássaro contente em ninho alheio.


A cada dia levava sementes e frutos,


Acrescentava gravetos, limpava penas,


Amava a relação, as conversas e os carinhos.


Hoje sei que eras ave de arribação,


Que o vento sul traz e o norte leva


Pelos insondáveis caminhos do instinto.


Mas o despejo antes da partida é mágoa


Que carrego em busca de outra pousada


Onde verbere a luz e não haja vento.


Antonio Carlos Rocha






Quinta-feira, Dezembro 10, 2009




ELEGIA AO MÁRIO











Coube ao Mário o destino das balas




Como a tragédia da vida




Espelhada na sua ficção autoral




De mente aberta para o humano,




Espelho do mundo, cristal de emoções.




Representar o herói, pra que?




Nem os do palco são vencedores




Nem os da guerra se gratificam.




Ser herói. Prá que?




Só uma vez mais...




Só porque o coração lhe disse...




O que sempre disse.




Daí a fera mostrou o primitivo




Que habita a alma




Do chacal que atua como homem




No palco de platéia selvagem




Suja das águas do esgoto.




São as fúrias que moram nas sombras




E surgem com garras afiadas para romper corações




De todos que amam a arte e os artistas.




Mas a vida é assim, Bortolotto:




O futuro pode ser curto quando a auralma é longa.






Antonio Carlos Rocha